Câmara Técnica de Meio Ambiente

 

MESA-REDONDA “SUBSTÂNCIAS RECALCITRANTES NOS PROCESSOS DE TRATAMENTOS DE EFLUENTES LÍQUIDOS”

CÂMARA TÉCNICA DE MEIO AMBIENTE DO CONSELHO REGIONAL DE QUÍMICA - CRQ-III

Com o propósito de discutir os principais avanços no tema, a Câmara Técnica de Meio Ambiente promoverá um encontro no dia 18/11/08, de 18:30h às 20:30h, no Auditório do CRQ. A mesa será mediada pelo Prof. Gandhi Giordano e contará com a participação dos especialistas Daniele Maia Bila e José Eduardo Cavalcanti.

O evento é gratuito. As vagas são limitadas e condicionadas à inscrição pelo e-mail: ctma@crq3.org.br, enviando nome completo e número do registro no CRQ-III. Serão emitidos certificados de participação. As vagas destinam-se preferencialmente aos profissionais da Química. A inscrição de profissionais de outras áreas se dará conforme o número de vagas remanescentes.

DATA: 18/11/08 às 18:30h

LOCAL: CRQ-3ª REGIÃO - Rua Alcindo Guanabara, 24 - 13º andar - Auditório

CINELÂNDIA - RIO DE JANEIRO - RJ


 

Muitos biocombustíveis seriam mais nocivos que petróleo

 

A maioria dos produtos agrícolas usados nos Estados Unidos e na Europa para a produção de biocombustíveis na verdade agrava o aquecimento global, devido aos métodos industriais empregados na fabricação do produto, segundo relatório assinado pelo Nobel de Química Paul J. Crutzen.

As conclusões são especialmente negativas para a colza, planta usada na Europa para a produção de biodiesel, e que segundo o estudo pode produzir até 70 por cento mais gases do efeito estufa do que o diesel convencional.

Já o etanol brasileiro foi considerado menos poluente do que o petróleo.

O novo estudo sugere que os biocombustíveis podem na verdade provocar mais liberação do que economia de gases do efeito estufa, devido ao fertilizante usado na produção agrícola, cuja fabricação depende do óxido nitroso (o "gás do riso", usado como anestesia odontológica).

Essa substância tem cerca de 300 vezes mais capacidade de provocar o efeito estufa do que o dióxido de carbono (CO2), o mais comum dos gases do efeito estufa produzidos pelo homem.

"A emissão de óxido nitroso por si só pode cancelar o benefício geral", disse o professor Keith Smith, co-autor do estudo, por telefone à Reuters.

Os resultados, publicados no site "Atmospheric Chemistry and Physics Discussions" (http://www.atmos-chem-phys-discuss.net/7/11191/2007/acpd-7-11191-2007.pdf), baseiam-se na descoberta de que o uso de fertilizantes agrícolas responde por três a cinco vezes mais emissões de gases do efeito estufa do que se imaginava.

Isso lança ainda mais dúvidas sobre a credibilidade dos biocombustíveis como panacéia climática, já abalada pelos sinais de que a demanda por novas fontes energéticas pode acelerar a devastação de florestas (para dar espaço a plantações) e aumentar o custo de vida (por reduzir a área das lavouras para alimentos).

O estudo estima que o uso do biodiesel derivado da colza produza, na melhor das hipóteses, a mesma quantidade de gases do efeito estufa que o diesel. Na pior das hipóteses, produz até 70 por cento a mais.

Já o etanol de cana, do qual o Brasil é o maior produtor mundial, saiu-se melhor: gera apenas entre 50 e 90 por cento dos gases do efeito estufa que seriam emitidos pela gasolina.

O etanol de milho, produzido nos EUA, pode gerar até 50 por cento mais gases responsáveis pelo aquecimento global do que a gasolina.

"Como é usado no momento, o bioetanol de milho parece ser um exercício bastante fútil", disse Smith.

O estudo não avalia o aquecimento extra provocado pela própria produção dos biocombustíveis, ou, por outro lado, os benefícios de usar subprodutos dos biocombustíveis (o bagaço da cana, por exemplo) para substituir o carvão em usinas termoelétricas.

Mas o estudo não condena os biocombustíveis como um todo, sugerindo que cientistas e agricultores priorizem cultivos que exijam menos fertilizantes e menos energia na colheita. (Gazeta do Povo/PR)

 

Gestão de resíduos sólidos requer maior atenção das indústrias

Comunicação IETEC.

Anualmente no Brasil são gerados cerca de 2,9 milhões de toneladas de resíduos sólidos e desses apenas 600 mil toneladas, 22%, recebem tratamento adequado, conforme dados da Associação Brasileira de Empresas de Tratamento, Recuperação e Disposição de Resíduos Especiais (Abetre).

De acordo com o presidente da Abetre, Carlos Roberto Fernandes, dos rejeitos industriais tratados, 16% vão para aterros, 1% é incinerado e os 5% restantes são co-processados, ou seja, transformam-se, por meio de queima, em parte de matéria-prima para a fabricação de cimento. “Esses 2 milhões de toneladas de resíduos industriais jogados em lixões significam possibilidade de contaminações e agressões ao meio ambiente”, diz.

O gerenciamento dos resíduos é hoje um dos principais desafios vivenciados pelas indústrias brasileiras. Segundo a engenheira química, diretora presidente da Proema Engenharia e Serviços e instrutora do curso de administração de resíduos sólidos industriais do IETEC, Maria Helena de Andrade Orth, a gestão dos resíduos sólidos se caracteriza pela necessidade da implantação da gestão do conhecimento dos resíduos nelas gerados, ou seja, a necessidade de se caracterizar e quantificar quais são os resíduos industriais perigosos, não perigosos e os inertes gerados no âmbito da indústria. “Nos estados onde é exigido pelos órgãos de controle que as indústrias façam os inventários de seus resíduos têm-se dados sobre os tipos de resíduos gerados. Então, se torna viável a implementação da gestão de resíduos pela própria indústria”, diz Maria Helena.

Uma gestão de resíduos sólidos eficiente deve contemplar as etapas de manuseio, armazenamento, transporte, reciclagem, tratamento e disposição final dos resíduos e ser realizada dentro de uma hierarquia na priorização das ações através dos seguintes passos:

-Prevenção da geração de resíduos sólidos industriais;

-Minimização da geração de resíduos sólidos industriais: quando as melhores tecnologias empregadas nos processamentos industriais não eliminarem a sua geração, necessário, então minimizar as quantidades geradas e a toxicidade dos resíduos;

-Reciclagem de resíduos industriais: um resíduo gerado em uma produção industrial pode – após tratamento ou não – vir a ser matéria-prima para o processamento industrial que o gerou ou para quaisquer outros;

-Tratamento de resíduos sólidos industriais visando dois objetivos principais: a descontaminação ou destoxificação para a viabilização de sua reciclagem e – quando a reciclagem não puder ser feita – o tratamento com a finalidade de uma disposição mais segura do ponto de vista ambiental;

-Descontaminação ambiental das áreas degradadas: descontaminação de áreas antigas e nas quais houve disposição inadequada de resíduos.

Dentro desse contexto de prioridades, outro aspecto importante da gestão de resíduos é a mudança de visão com relação aos mesmos. Os resíduos industriais não podem ser vistos como algo sem valor econômico e sem utilidade – apenas passíveis de serem dispostos no meio ambiente – para serem vistos como matérias primas secundárias para a própria produção industrial que o gerou ou para outros processamentos industriais. A Abetre calcula que o mercado de destinação de resíduos industriais no Brasil é de R$ 1 bilhão por ano. Atualmente, porém, o tratamento e a disposição de rejeitos geram um faturamento de aproximadamente R$ 240 milhões, valor cinco vezes menor do que o potencial.

De acordo com a engenheira química, técnica da divisão de normas e padrões da FEAM – Fundação Estadual do Meio Ambiente de Minas Gerais, e instrutora dos cursos de pós-graduação da área de meio ambiente do IETEC, Ana Luiza Dolabela, para um sucesso ainda maior das industrias no processo de administração de resíduos industriais, se faz necessário um trabalho de educação ambiental, além do incentivo a pesquisas sobre tecnologias limpas e técnicas de reciclagem. “A educação ambiental é de extrema importância para a conscientização das empresas e da comunidade em geral sobre o correto trato com os resíduos, sobretudo com as mudanças de hábitos culturais que visem o seu reaproveitamento”, diz.

Segundo Maria Helena Orth, o custo para implantar e manter um programa de gestão de resíduos é um investimento que, inicialmente, é significativo, mas que compensa pelos benefícios dele decorrentes e que a terceirização dos serviços, transporte e destinação final dos resíduos são uma alternativa para a redução dos custos. “A terceirização é, na maioria dos casos, alternativa para a redução de custos se comparados com os custos que a indústria teria que assumir para implantar e operar seus próprios sistemas de tratamento e disposição final de resíduos”, diz a engenheira química, que ainda ressalta dois fatores importantes para essa terceirização:

- haver oferta de sistemas de tratamento e disposição de resíduos operados por terceiros nas diversas regiões do país e não somente na região sul;

- Serem suportáveis pelas indústrias os custos de transporte, tratamento e disposição final de resíduos através da contratação desses serviços ofertados por terceiros e devidamente licenciados.

Para Maria Helena, as indústrias brasileiras encontram alguns obstáculos que possam dificultar o sucesso de uma gestão de resíduos industriais. São eles: falta de política da cúpula da empresa para implantar a gestão; falta de recursos; falta de pessoal técnico capacitado e a falta de fiscalização e de exigências por parte dos órgãos de controle.

Tecnologias limpas e Minimização de Resíduos

Entre os tratamentos possíveis para os resíduos industriais perigosos estão o aterro (local de disposição final de resíduos sólidos utilizando princípios específicos de engenharia para armazenar rejeitos), a incineração (processo físico-químico que emprega a destruição térmica a alta temperatura para destruir a fração orgânica e reduzir o volume do rejeito) e o co-processamento (processo de destruição térmica de resíduos em fornos industriais devidamente licenciados, com aproveitamento energético ou matérias-primas).

As tecnologias limpas – tecnologias que prevêm a substituição de matérias-primas poluentes – e as práticas de minimização de resíduos são economicamente vantajosas uma vez que oferecem a possibilidade de redução de custos de destinação e obtenção de receita para comercialização dos produtos obtidos no tratamento e separação dos resíduos gerados. Para Ana Luiza Dolabela, as ações de minimização a serem investigadas durante o estudo do processamento industrial “devem ser de caráter técnico e organizacional, incluindo treinamento de pessoal e melhoria das condições de operação”.

Dentre as tecnologias limpas usadas pelas indústrias podemos destacar: a substituição do uso do cloro no branqueamento da polpa de celulose por peróxido; a eliminação do uso de sais de cianeto por óleo térmico; a substituição do uso de solventes minerais por solventes orgânicos e a substituição de pigmentos a base de metais pesados por pigmentos orgânicos.

Os resultados a serem obtidos com a adoção de tecnologias limpas e práticas de minimização segundo dados fornecidos pela FEAM são:

-Redução dos custos com gerenciamento de resíduos e efluentes;

-Redução do consumo de energia, principalmente quando se tratar de energia não-renovável;

-Melhoria na qualidade do produto;

-Melhoria da produtividade;

-Redução dos riscos de saúde dos trabalhadores;

-Redução dos riscos ambientais;

-Diminuição do “passivo ambiental da empresa”;

-Melhoria da imagem pública da empresa.

Reciclagem – Uma alternativa rentável

A reciclagem dos resíduos industriais que representam algum valor econômico é uma das formas mais atraentes na solução de problemas no gerenciamento de resíduos, tanto do ponto de vista empresarial, como dos órgãos de controle ambiental. “O papel da reciclagem é o de diminuir o desperdício, reduzir a quantidade de resíduos encaminhados aos lixões e aos aterros sanitários, bem como aumentar os insumos, pois muitos materiais descartados podem ser utilizados como matéria prima de processos ou serem reutilizados na própria indústria que o descartou”, aponta Maria Helena Orth.

As etapas de segregação, armazenamento, manuseio e transporte de resíduos apresentam custos que, em alguns casos, pode ser bastante elevado. Então se a indústria encontrar uma forma de reaproveitar ou vender esses resíduos, estará criando uma maneira atraente de resolver o problema e, ainda, de conseguir uma fonte de renda adicional. Do ponto de vista ambiental a reciclagem diminui a quantidade de resíduos lançados no meio ambiente, além de contribuir para a conservação dos recursos ambientais e de minimizar a utilização dos recursos ambientais não renováveis.

Em termos práticos, a reciclagem para a recuperação de um resíduo depende dos seguintes fatores:

-Proximidade da instalação de reprocessamento;

-Custos de transporte dos resíduos;

-Volume de resíduos disponíveis para o reprocessamento;

-Custos de segregação, armazenamento, manuseio e transporte de resíduos;

-Disponibilidade de mercado;

-Tecnologias de reciclagem disponíveis;

-Licenciamento ambiental.

As indústrias brasileiras devem buscar uma gestão de resíduos industriais moderna e gerenciá-los de forma sustentável, gerando receita, emprego e renda. Os resíduos industriais devem ser visto como uma forma de gestão empresarial, com processos mais eficientes, trazendo uma série de benefícios para o meio ambiente e para a sociedade.

(Fonte:
www.ietec.com.br)