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A
maioria dos produtos agrícolas usados nos Estados Unidos e na
Europa para a produção de biocombustíveis na verdade agrava o
aquecimento global, devido aos métodos industriais empregados na
fabricação do produto, segundo relatório assinado pelo Nobel de
Química Paul J. Crutzen.
As conclusões são especialmente negativas para a colza, planta
usada na Europa para a produção de biodiesel, e que segundo o
estudo pode produzir até 70 por cento mais gases do efeito
estufa do que o diesel convencional.
Já o etanol brasileiro foi considerado menos poluente do que o
petróleo.
O novo estudo sugere que os biocombustíveis podem na verdade
provocar mais liberação do que economia de gases do efeito
estufa, devido ao fertilizante usado na produção agrícola, cuja
fabricação depende do óxido nitroso (o "gás do riso", usado como
anestesia odontológica).
Essa substância tem cerca de 300 vezes mais capacidade de
provocar o efeito estufa do que o dióxido de carbono (CO2), o
mais comum dos gases do efeito estufa produzidos pelo homem.
"A emissão de óxido nitroso por si só pode cancelar o benefício
geral", disse o professor Keith Smith, co-autor do estudo, por
telefone à Reuters.
Os resultados, publicados no site "Atmospheric Chemistry and
Physics Discussions" (http://www.atmos-chem-phys-discuss.net/7/11191/2007/acpd-7-11191-2007.pdf),
baseiam-se na descoberta de que o uso de fertilizantes agrícolas
responde por três a cinco vezes mais emissões de gases do efeito
estufa do que se imaginava.
Isso lança ainda mais dúvidas sobre a credibilidade dos
biocombustíveis como panacéia climática, já abalada pelos sinais
de que a demanda por novas fontes energéticas pode acelerar a
devastação de florestas (para dar espaço a plantações) e
aumentar o custo de vida (por reduzir a área das lavouras para
alimentos).
O estudo estima que o uso do biodiesel derivado da colza
produza, na melhor das hipóteses, a mesma quantidade de gases do
efeito estufa que o diesel. Na pior das hipóteses, produz até 70
por cento a mais.
Já o etanol de cana, do qual o Brasil é o maior produtor
mundial, saiu-se melhor: gera apenas entre 50 e 90 por cento dos
gases do efeito estufa que seriam emitidos pela gasolina.
O etanol de milho, produzido nos EUA, pode gerar até 50 por
cento mais gases responsáveis pelo aquecimento global do que a
gasolina.
"Como é usado no momento, o bioetanol de milho parece ser um
exercício bastante fútil", disse Smith.
O estudo não avalia o aquecimento extra provocado pela própria
produção dos biocombustíveis, ou, por outro lado, os benefícios
de usar subprodutos dos biocombustíveis (o bagaço da cana, por
exemplo) para substituir o carvão em usinas termoelétricas.
Mas o estudo não condena os biocombustíveis como um todo,
sugerindo que cientistas e agricultores priorizem cultivos que
exijam menos fertilizantes e menos energia na colheita. (Gazeta
do Povo/PR)
Gestão de resíduos sólidos requer maior atenção das indústrias |
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Comunicação IETEC.
Anualmente no Brasil são gerados cerca de 2,9 milhões de
toneladas de resíduos sólidos e desses apenas 600 mil toneladas,
22%, recebem tratamento adequado, conforme dados da Associação
Brasileira de Empresas de Tratamento, Recuperação e Disposição
de Resíduos Especiais (Abetre).
De acordo com o presidente da Abetre, Carlos Roberto Fernandes,
dos rejeitos industriais tratados, 16% vão para aterros, 1% é
incinerado e os 5% restantes são co-processados, ou seja,
transformam-se, por meio de queima, em parte de matéria-prima
para a fabricação de cimento. “Esses 2 milhões de toneladas de
resíduos industriais jogados em lixões significam possibilidade
de contaminações e agressões ao meio ambiente”, diz.
O gerenciamento dos resíduos é hoje um dos principais desafios
vivenciados pelas indústrias brasileiras. Segundo a engenheira
química, diretora presidente da Proema Engenharia e Serviços e
instrutora do curso de administração de resíduos sólidos
industriais do IETEC, Maria Helena de Andrade Orth, a gestão dos
resíduos sólidos se caracteriza pela necessidade da implantação
da gestão do conhecimento dos resíduos nelas gerados, ou seja, a
necessidade de se caracterizar e quantificar quais são os
resíduos industriais perigosos, não perigosos e os inertes
gerados no âmbito da indústria. “Nos estados onde é exigido
pelos órgãos de controle que as indústrias façam os inventários
de seus resíduos têm-se dados sobre os tipos de resíduos
gerados. Então, se torna viável a implementação da gestão de
resíduos pela própria indústria”, diz Maria Helena.
Uma gestão de resíduos sólidos eficiente deve contemplar as
etapas de manuseio, armazenamento, transporte, reciclagem,
tratamento e disposição final dos resíduos e ser realizada
dentro de uma hierarquia na priorização das ações através dos
seguintes passos:
-Prevenção da geração de resíduos sólidos industriais;
-Minimização da geração de resíduos sólidos industriais: quando
as melhores tecnologias empregadas nos processamentos
industriais não eliminarem a sua geração, necessário, então
minimizar as quantidades geradas e a toxicidade dos resíduos;
-Reciclagem de resíduos industriais: um resíduo gerado em uma
produção industrial pode – após tratamento ou não – vir a ser
matéria-prima para o processamento industrial que o gerou ou
para quaisquer outros;
-Tratamento de resíduos sólidos industriais visando dois
objetivos principais: a descontaminação ou destoxificação para a
viabilização de sua reciclagem e – quando a reciclagem não puder
ser feita – o tratamento com a finalidade de uma disposição mais
segura do ponto de vista ambiental;
-Descontaminação ambiental das áreas degradadas: descontaminação
de áreas antigas e nas quais houve disposição inadequada de
resíduos.
Dentro desse contexto de prioridades, outro aspecto importante
da gestão de resíduos é a mudança de visão com relação aos
mesmos. Os resíduos industriais não podem ser vistos como algo
sem valor econômico e sem utilidade – apenas passíveis de serem
dispostos no meio ambiente – para serem vistos como matérias
primas secundárias para a própria produção industrial que o
gerou ou para outros processamentos industriais. A Abetre
calcula que o mercado de destinação de resíduos industriais no
Brasil é de R$ 1 bilhão por ano. Atualmente, porém, o tratamento
e a disposição de rejeitos geram um faturamento de
aproximadamente R$ 240 milhões, valor cinco vezes menor do que o
potencial.
De acordo com a engenheira química, técnica da divisão de normas
e padrões da FEAM – Fundação Estadual do Meio Ambiente de Minas
Gerais, e instrutora dos cursos de pós-graduação da área de meio
ambiente do IETEC, Ana Luiza Dolabela, para um sucesso ainda
maior das industrias no processo de administração de resíduos
industriais, se faz necessário um trabalho de educação
ambiental, além do incentivo a pesquisas sobre tecnologias
limpas e técnicas de reciclagem. “A educação ambiental é de
extrema importância para a conscientização das empresas e da
comunidade em geral sobre o correto trato com os resíduos,
sobretudo com as mudanças de hábitos culturais que visem o seu
reaproveitamento”, diz.
Segundo Maria Helena Orth, o custo para implantar e manter um
programa de gestão de resíduos é um investimento que,
inicialmente, é significativo, mas que compensa pelos benefícios
dele decorrentes e que a terceirização dos serviços, transporte
e destinação final dos resíduos são uma alternativa para a
redução dos custos. “A terceirização é, na maioria dos casos,
alternativa para a redução de custos se comparados com os custos
que a indústria teria que assumir para implantar e operar seus
próprios sistemas de tratamento e disposição final de resíduos”,
diz a engenheira química, que ainda ressalta dois fatores
importantes para essa terceirização:
- haver oferta de sistemas de tratamento e disposição de
resíduos operados por terceiros nas diversas regiões do país e
não somente na região sul;
- Serem suportáveis pelas indústrias os custos de transporte,
tratamento e disposição final de resíduos através da contratação
desses serviços ofertados por terceiros e devidamente
licenciados.
Para Maria Helena, as indústrias brasileiras encontram alguns
obstáculos que possam dificultar o sucesso de uma gestão de
resíduos industriais. São eles: falta de política da cúpula da
empresa para implantar a gestão; falta de recursos; falta de
pessoal técnico capacitado e a falta de fiscalização e de
exigências por parte dos órgãos de controle.
Tecnologias limpas e Minimização de Resíduos
Entre os tratamentos possíveis para os resíduos industriais
perigosos estão o aterro (local de disposição final de resíduos
sólidos utilizando princípios específicos de engenharia para
armazenar rejeitos), a incineração (processo físico-químico que
emprega a destruição térmica a alta temperatura para destruir a
fração orgânica e reduzir o volume do rejeito) e o
co-processamento (processo de destruição térmica de resíduos em
fornos industriais devidamente licenciados, com aproveitamento
energético ou matérias-primas).
As tecnologias limpas – tecnologias que prevêm a substituição de
matérias-primas poluentes – e as práticas de minimização de
resíduos são economicamente vantajosas uma vez que oferecem a
possibilidade de redução de custos de destinação e obtenção de
receita para comercialização dos produtos obtidos no tratamento
e separação dos resíduos gerados. Para Ana Luiza Dolabela, as
ações de minimização a serem investigadas durante o estudo do
processamento industrial “devem ser de caráter técnico e
organizacional, incluindo treinamento de pessoal e melhoria das
condições de operação”.
Dentre as tecnologias limpas usadas pelas indústrias podemos
destacar: a substituição do uso do cloro no branqueamento da
polpa de celulose por peróxido; a eliminação do uso de sais de
cianeto por óleo térmico; a substituição do uso de solventes
minerais por solventes orgânicos e a substituição de pigmentos a
base de metais pesados por pigmentos orgânicos.
Os resultados a serem obtidos com a adoção de tecnologias limpas
e práticas de minimização segundo dados fornecidos pela FEAM
são:
-Redução dos custos com gerenciamento de resíduos e efluentes;
-Redução do consumo de energia, principalmente quando se tratar
de energia não-renovável;
-Melhoria na qualidade do produto;
-Melhoria da produtividade;
-Redução dos riscos de saúde dos trabalhadores;
-Redução dos riscos ambientais;
-Diminuição do “passivo ambiental da empresa”;
-Melhoria da imagem pública da empresa.
Reciclagem – Uma alternativa rentável
A reciclagem dos resíduos industriais que representam algum
valor econômico é uma das formas mais atraentes na solução de
problemas no gerenciamento de resíduos, tanto do ponto de vista
empresarial, como dos órgãos de controle ambiental. “O papel da
reciclagem é o de diminuir o desperdício, reduzir a quantidade
de resíduos encaminhados aos lixões e aos aterros sanitários,
bem como aumentar os insumos, pois muitos materiais descartados
podem ser utilizados como matéria prima de processos ou serem
reutilizados na própria indústria que o descartou”, aponta Maria
Helena Orth.
As etapas de segregação, armazenamento, manuseio e transporte de
resíduos apresentam custos que, em alguns casos, pode ser
bastante elevado. Então se a indústria encontrar uma forma de
reaproveitar ou vender esses resíduos, estará criando uma
maneira atraente de resolver o problema e, ainda, de conseguir
uma fonte de renda adicional. Do ponto de vista ambiental a
reciclagem diminui a quantidade de resíduos lançados no meio
ambiente, além de contribuir para a conservação dos recursos
ambientais e de minimizar a utilização dos recursos ambientais
não renováveis.
Em termos práticos, a reciclagem para a recuperação de um
resíduo depende dos seguintes fatores:
-Proximidade da instalação de reprocessamento;
-Custos de transporte dos resíduos;
-Volume de resíduos disponíveis para o reprocessamento;
-Custos de segregação, armazenamento, manuseio e transporte de
resíduos;
-Disponibilidade de mercado;
-Tecnologias de reciclagem disponíveis;
-Licenciamento ambiental.
As indústrias brasileiras devem buscar uma gestão de resíduos
industriais moderna e gerenciá-los de forma sustentável, gerando
receita, emprego e renda. Os resíduos industriais devem ser
visto como uma forma de gestão empresarial, com processos mais
eficientes, trazendo uma série de benefícios para o meio
ambiente e para a sociedade.
(Fonte:
www.ietec.com.br) |